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Mostrando postagens de março, 2010

Paixão de Veraneio

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Paixão é como a chama Da vela que oscila. O fogo que sutil engana A alma de amor ensandecida. Paixão é luz no escuro Onde vaga-lumes vem brincar. Corpos atraídos pelo brilho Que no calor hão de queimar. Paixão é momento eterno E por isso é passageiro. Não há nada de mais concreto Que paixão de veraneio. Petrus di Andrada Nota: São delas que nós lembramos com carinho...

Balada da Moça do Miramar

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Silêncio da madrugada No Edifício Miramar... Sentada em frente à janela Nua, morta, deslumbrada Uma moça mira o mar. Ninguém sabe quem é ela Nem ninguém há de saber Deixou a porta trancada Faz bem uns dois cinco dias Já começa a apodrecer Seus ambos joelhos de âmbar Furam-lhe o branco da pele E a grande flor do seu corpo Destila um fétido mel. Mantém-se extática em face Da aurora em elaboração Embora formigas pretas Que lhe entram pelos ouvidos Se escapem por umas gretas Do lado do coração Em volta é segredo: e móveis Imóveis na solidão... Mas apesar da necrose Que lhe corrói o nariz A moça está tão sem pose Numa ilusão tão serena Que, certo, morreu feliz. A vida que está na morte Os dedos já lhe comeu Só lhes resta um aro de ouro Que a morte em vida lhe deu Mas seu cabelo de ouro Rebrilha com tanta luz Que a sua caveira é bela E belo é seu ventre louro E seus pelinhos azuis. Vinicius de Moraes

A gramática

"A gramática, a mesma árida gramática, transforma-se em algo parecido a uma feitiçaria evocatória; as palavras ressuscitam revestidas de carne e osso, o substantivo, em sua majestade substancial, o adjetivo, roupa transparente que o veste e dá cor como um verniz, e o verbo, anjo do movimento que dá impulso á frase". Charles Baudelaire

Depois... nada.

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Quem serei eu, deusa Após o Barqueiro me levar? Quem serei eu, deusa Depois que Cronos meus passos apagar? Futuro, presente, aqui e passado... Céus! Como quisera eu ser (e nas entrelinhas sobreviver) A mediação destes quatro... Aquiles Pelida não sou, Que através do cerco lendário, Sua memória glorificou E ao lado de Zeus se fez sentado. Sou mortal singelo, Aos vermes destinado. Da vida um simples flagelo, Para enfim ao vento ser soprado. Petrus di Andrada